História

A FUNDAÇÃO
O Fluminense Futebol Clube, do bairro Itaum de Joinville/SC,  ou simplesmente “Fluminense do Itaum”, foi fundado em 24 de Outubro de 1948, num terreno na rua Voluntários da Patria, próximo á Igreja São Judas Tadeu e surgiu para substituir os pequeninos São Paulinho F.C. e Estrela F.C.
A escolha do seu nome inicialmente foi motivo de discórdia, já que a turma dividia-se entre botafoguenses e tricolores. Para encerrar maiores discussões, foi feita uma votação, onde prevaleceu a sugestão dos tricolores.
Foram seus fundadores: Arno Wersdoefer, Egon Giesel, Nelson Brandão, Antonio Pereira, Osvaldo Moreira, Adalcino Pereira, Gercino Rodrigues, Gustavo Jony Batista, José Lino da Silva, Carlos Klug, Francisco Ramos e Antonio Anésio da Silva.
OS PRIMEIRO JOGOS
O primeiro adversário do Fluminense foi o obscuro Esporte Clube Brasil, que acabou goleado por 7×1, sendo quatro dos gols marcados por Brandão.
O primeiro grande rival do Fluminense foi o Almirante Futebol Clube, também sediado no bairro Itaum, e que mais tarde daria origem á atual S.E.R.C. Tamandaré F.C.

Time por volta de 1949

 

OS PRIMEIROS CAMPEONATOS OFICIAIS

Entre 1948 e 1951 o Fluminense limitou-se a disputar jogos amistosos e festivais esportivos nos diversos campos espalhados pela cidade.
Em 1952 filiou-se á Liga Joinvillense de Futebol e disputou o Campeonato da 3ª Divisão de Amadores da Cidade, ficando com o vice-campeonato ao perder o título para o Cometa F.C.
Em 1953 foi novamente vice-campeão da Terceirinha, desta vez perdendo o título para o Boa Vista F.C.
Em 1954, o tricolor voltou a dedicar-se aos jogos amistosos e aos animados festivais esportivos e ‘torneios do porco’ que eram bem mais animados que os campeonatos oficiais.
Em 1957 voltou ás competições da Liga Joinvillense de Futebol, jogando a 2ª Divisão de Amadores, que devido a extinção da 3ª Divisão, contava sempre com muitos clubes na disputa. Na edição deste ano, além do Fluminense, tomaram parte o Santos, Estrela da Vila Baumer, Sulista, Aviação, Aventureiro, Prefeitura, Arsenal, Internacional, União Boa Vista e Almirante.
Após fazer um turno apenas razoável, o Fluminense recuperou-se no returno e liderou a classificação até a penúltima rodada, quando foi ultrapassado pelo  Santos que acabou sendo o campeão.
O time base do tricolor neste campeonato foi: Caranga, Helio e Marino; Adalcino, Chelo e Osmar; Bia, Milton Fumo, Daniel, Nezinho e Lôlo.
1958: VICE-CAMPEÃO NO CLÁSSICO FLO-FLU
Em 1958 a Liga Joinvillense de Futebol criou a 1ª Divisão Extra de Profissionais, composta dos principais clubes da cidade (Caxias, América, C.A Operário e São Luiz) e que tinha como principal finalidade indicar o representante joinvillense no Campeonato Estadual.
Com isto, a 1ª Divisão de Amadores, passou a chamar-se 1ª Divisão Extra de Amadores e abriu novas vagas, uma das quais foi ocupada pelo Fluminense.  Este campeonato contava com 10 clubes e foi bastante extenso tendo terminado somente em maio de 1959. Com uma campanha brilhante e surpreendente, o Fluminense alcançou o vice-campeonato, perdendo a decisão para o famoso Floresta F.C. (atual Sociedade Floresta de Joinville), num classico que ganhou o apelido de ‘Flo-Flu’.
A decisão do titulo foi uma verdadeira epopeia já que nada menos que cinco jogos tiveram que ser realizados para apontar o campeão. Para fechar a disputa com chave de ouro, o quinto jogo, realizado em 4 de maio de 1959, foi interrompido aos 35 minutos do segundo tempo, por conta de um temporal, quando o placar apontava 3×3. Sem poder mais esperar para decidir o campeonato, a Liga marcou os 10 minutos restantes para a terça-feira, dia 6, onde o Floresta fez 1×0 e sagrou-se campeão.
O time base do tricolor neste campeonato foi: Caranga, Lôlo e Marino; Zeti, Chelo e Osmar; Nilo, Milton Fumo, J. Maria, Nivaldo e Bia.

1959: DEVAGARZINHO, ENTRE OS GRANDES
Em 1959 a 1ª Divisão Extra de Amadores contou com a presença dos ‘ex-profissionais’ C.A. Operário e São Luiz, o que fortaleceu muito a competição que além do Fluminense, contou ainda com a participação de Floresta, Glória, Santos e Estiva.
Tendo dois adversários mais qualificados pela frente, desta vez a sua campanha foi apenas modesta, terminando apenas na 4ª colocação.
Também neste ano, o Fluminense foi convidado a participar de um torneio chamado Osni Mello (então presidente de FCF), onde pela primeira vez, teve oportunidade de enfrentar de forma oficial, os dois grandes clubes da cidade: América e Caxias. Como não podia deixar de ser, a campanha foi modesta.
Seu time base foi o seguinte: Caranga, Laurinho e Baixinho; Zeti, Leonardo e Curuca; Ratinho, Bia, Camundongo, Quero e Lôlo.
1960: O ANO DOS BAILARINOS DO ITAUM
VICE-CAMPEÃO DA CIDADE
Em 1960 o Fluminense mudou completamente de patamar passando a integrar a 1ª Divisão Extra de Profissionais que nesta ocasião, era composta apenas por Caxias, América e pelo seu grande rival, o Floresta.
A campanha do tricolor foi surpreendente e o levou a um inimaginável vice-campeonato da cidade, somando 7 pontos, apenas um a menos que o campeão Caxias.
Seus resultados foram os seguintes: America 0×0 Flu / Caxias 2×2 Flu / Floresta 1×2 Flu / America 1×2 Flu / Caxias 3×1 Flu / Floresta 2×2 Flu.
Seu time base era: Nane, Laurinho (ou Alegria) e Baixinho; Lolo, Quica (ou Zeti) e Camundongo (ou Osmar); Bia, Milton Fumo, Daniel, Ratinho e Caranga.
O artilheiro do time na competição foi Bia com 4 gols.
Este time, que tinha em Ratinho e Milton Fumo os seus principais craques, ficou conhecido como ‘Os Bailarinos do Itaum’ apelidado que foi incorporado ao próprio clube.
O SALÃO DO FLUMINENSE
Neste ano o clube também começou a construção de sua sede social, localizada no início da rua Monsenhor Gercino e para viabiliza-la, realizou diversos festivais e rifas que renderam um bom dinheiro aos seus cofres. Esta sede que ficou mais conhecida como ‘Salão do Fluminense’ foi durante duas décadas o principal ponto de encontro dos jovens do Itaum, que na pacata e germânica Joinville dos anos 1960 e 1970, era tido como o bairro da turma da pesada, do samba e da boemia.
 Salão do Fluminense
O FLUMINENSE NO CAMPEONATO CATARINENSE
O vice-campenato da Liga credenciou o Fluminense a disputar o inchado Campeonato Catarinense de 1960, que contou com a participação de quase 26 clubes divididos em 5 Zonas Regionais.
Os Bailarinos do Itaum ficaram alocados na Zona Norte, junto com o América de Joinville, Acaraí e Baependi de Jaraguá do Sul, Atlético e Ipiranga de São Francisco do Sul, que jogariam entre si em turno e returno em disputa de duas vagas na próxima fase.
Após um inicio até promissor, com duas vitorias em três jogos, o Fluminense acabou perdendo o folego no decorrer da competição e terminou apenas em 5º lugar com 6 pontos ganhos, bem atrás de Baependi e Ipiranga com 16 pontos, América com 11 e Atlético com 7 e á frente apenas do Acaraí que somou 4.
Seus resultados foram os seguintes: Acarai 2×4 Flu / Flu 1×2 Ipiranga / América 2×3 Flu / Flu 2×3 Baependi / Atletico 4×1 Flu / Flu 4×2 Acaraí / Ipiranga 2×0 Flu / Flu 1×6 América / Baependi 4×0 Flu / Flu 2×4 Atletico
O time base do Tricolor foi o mesmo do campeonato da cidade e o artilheiro foi Daniel com 6 gols. Sem estádio próprio, o tricolor mandava seus jogos no Estádio do América ou no Estádio do São Luiz.
Timaço de 1960/61
1961: CAMPANHA MODESTA NO CAMPEONATO LOCAL
A 1ª Divisão Extra de Profissionais de 1961 contou com a participação de 6 clubes com a volta do C.A. Operário e do São Luiz ao certame principal da cidade.
Enfraquecido com a perda de alguns jogadores para os rivais locais, sobretudo o artilheiro Daniel que reforçou o América, desta vez o Fluminense fez uma campanha apenas modesta, terminando a competição em 4º lugar com apenas 6 pontos ganhos, bem atrás do campeão América com 19 pontos, Caxias 15 e Floresta 8, e á frente de São Luiz 5 e Operário 1.
O time base do Fluminense foi: Nane (ou Caranga), Osmar (ou Chuvisco) e Baixinho; Coruca, Quica (ou Lelinho) e Gunga; Ratinho, Pepê, Eduardo (ou Caranga), Lolo e Filo.
Ratinho foi o artilheiro da equipe com 6 gols.
1962: PÉSSIMA CAMPANHA NO CAMPEONATO LOCAL
A 1ª Divisão Extra de Profissionais de 1962 contou novamente com a participação de 6 clubes, com a inclusão do Glória F.C. no lugar do C.A. Operário.
Como no ano anterior, a disputa do titulo ficou monopolizada entre Caxias e América, cabendo ao alvinegro o titulo de campeão invicto. O Fluminense, por sua vez, fez uma campanha desastrosa ficando em ultimo lugar com 8 jogos e 8 derrotas.
O time base, que não contava mais com os craques Ratinho e Milton Fumo foi o seguinte: Nane, Dalvo e Quica; Chuvisco, Filo e Lelinho; Bia, Eduardo, Caranga, Chiquinho e Laurinho.
MILTON FUMO NO VASCO
Milton Antonio Pedro Elioterio, ou Milton Fumo (1940-1989), no inicio de 1962, no auge de seus 22 anos de idade, foi vendido diretamente do Fluminense para o Vasco da Gama do Rio de Janeiro.
Segundo o fundador Egon Giesel, a diretoria do clube joinvillense pediu inicialmente 200 mil cruzeiros para liberar o jogador, porém, nem pensou duas vezes em aceitar a contraproposta de 100 mil feita pelos cariocas. A verdade é que não havia como manter um jogador deste quilate no clube sem receber salário, então, mesmo que o Vasco tivesse oferecido 20 mil, o Fluminense teria aceitado.
No clube carioca, mesmo atuando no quadro de aspirantes, Milton ganhava cerca de 30 mil cruzeiros mensais, algo inimaginável para o futebol joinvillense que era profissional apenas na nomenclatura. Sua estreia no time principal ocorreu em 10/05/1962 em um jogo amistoso contra o Gremio Maringá-PR. A titularidade foi conquistada somente em agosto de 1963, condição que manteve até o ano seguinte.
Milton no Maracanã com o Vasco
Após três anos em São Januario, voltou á Santa Catarina, onde defendeu o lendário E.C. Metropol de Criciuma, onde sagrou-se campeão catarinense de 1965 e 1967.
 
Milton (no centro) no time do Metropol
RATINHO, O MAIOR CRAQUE DE JOINVILLE
Heitor Martinho de Souza, o Ratinho (1942-2001) também foi negociado pelo Fluminense neste ano de 1962, indo para o C.N Marcílio Dias, que nesta época montou o maior time de sua história. Campeão do Torneio Luiza Mello de 1963 (equivalente ao Estadual), Ratinho transferiu-se no ano seguinte para o Avaí e dali seguiu para a Portuguesa de Desportos onde marcou época jogando ao lado de craques como Ivair e Leivinha.
Ratinho (á esquerda) no ataque da Lusa, com Ivair
Em 1970, no auge de sua carreira, esteve entre os 40 pré-convocados para a Copa do Mundo. Em 1972 transferiu-se para o São Paulo F.C. onde foi vice-campeão brasileiro de 1973 jogando ao lado de Serginho Chulapa e Pedro Rocha.
No seu período de futebol paulista teve a oportunidade de excursionar cinco vezes para a Europa, onde chegou a disputar os famosos Torneio Teresa Herrera e Ramón de Carranza.
Também defendeu a seleção paulista em varias oportunidades formando ataque com Rivelino, Pelé, Toninho Guerreiro, Ademir da Guia, Edu e vários outros craques.
Ratinho na Seleção Paulista
Em 1975 voltou para Joinville, onde defendeu o América e no ano seguinte participou do primeiro time do JEC onde foi campeão catarinense de 1976 e encerrou a carreira em 1977. Como treinador, voltou a brilhar nos gramados europeus comandando a S.E. Irineu, de Joinville, na campanha do vice-campeonato da Copa Viareggio de Futebol Junior em 1998, onde foram revelados o meia Renato Abreu e o atacante Deivid, que tiveram passagens marcantes pelo Flamengo, Corinthians e Santos.
Pode-se dizer com certeza, que por ironia do destino, o maior craque já revelado pelos gramados joinvillenses foi forjado no modesto Fluminense do Itaum, para ‘inveja’ de América, Caxias e JEC.
1964: RETORNO DISCRETO
Após ficar um ano ausente dos gramados oficiais, o Fluminense voltou a disputar o Campeonato da 1ª Divisão Extra de Profissionais da Liga Joinvillense de Futebol em 1964, que nesta ocasião, já não contava mais com Caxias e América que disputavam somente o Campeonato Estadual, junto com a A.A. Tupy, mais nova força do futebol da cidade.
Deste modo, o campeonato local contava com participantes modestos como os velhos São Luiz e Glória e os emergentes Juventus, Aventureiro, Sulista, Estrela da Vila Baumer e Santos. Nem assim, o Fluminense conseguiu destacar-se na competição, ficando longe da briga pelo titulo que ficou com o Juventus.
1965-1971: UM NOVO PERÍODO DE GLÓRIAS
O Fluminense voltou aos dias de glória ao vencer o Campeonato da 1ª Divisão Extra de Profissionais de 1965 de forma incontestável, batendo no jogo decisivo o Juventus por 8×1.
O elenco campeão, que ainda mantinha uma série de remanescentes do time de Bailarinos do Itaum foi o seguinte: Nane (ou Moacir), Lelinho e Bebeco; Lolo, Cardoso e Mogeno; Miltinho, Jorge (ou Ceceu), Bia, Laurinho e Eduardo.
Em 1966 a 1ª Divisão foi inchada com a participação de 12 clubes, sendo quatro a mais que o ano anterior, incluindo a A.A. Tupy, que após uma frustrada experiência no Campeonato Estadual, voltou suas forças para o campeonato local.
Conforme era esperado, Fluminense e Tupy disputaram o titulo palmo á palmo e no jogo decisivo, realizado em 07/05/1966, coube ao Fluminense conquistar o bicampeonato com uma grande vitória de 4×1 sobre o mais novo rival.
O elenco campeão foi o seguinte: Nane, Lelinho e Puga; Bebeco, Cardoso e Lolo; Silveira, Bia, Jurandir, Laurinho e Jorge. Reservas: Moacir, Mogeno, Ernesto, Zezo e Daniel.
Em 1967 o Fluminense atingiu seu auge ao conquistar o tricampeonato da 1ª Divisão Extra de Profissionais. Novamente o principal adversário do clube do Itaum foi a Tupy que teve que amargar mais um vice-campeonato quando na ultima rodada o rival garantiu o empate que lhe bastava diante do Estrela da Vila Baumer. Com 3 pontos a mais na classificação geral que a Tupy, o Fluminense sagrou-se tricampeão com: Araujo (ou Moacir), Mogeno e Bebeco; Ingo, Anselmo e Lolo; Riga, Bia, Nelsinho, Daniel e Alcione.
Time de 1967
Após perder os campeonatos de 1968, 1969 e 1970, respectivamente para o Sete de Setembro de Araquari, S.E.R. Tigre e A.A. Tupy, o Fluminense retomou a liderança do futebol local ao conquistar o Campeonato da 1ª Divisão Extra de Profissionais de 1971.
O jogo decisivo ocorreu no Estádio da Tupy e colocava frente a frente os dois rivais em condição de igualdade, porém, nesta época, rolava um tabu de que a Tupy era freguês do tricolor e não conseguia vence-lo de forma alguma. Mais de 6 mil pessoas acompanharam a decisão e viram Franklin marcar o gol solitário que garantiu o quarto e ultimo titulo joinvillense da historia do tricolor do Itaum.
O time base do Fluminense, que tinha em seu goleiro o principal jogador, foi o seguinte: Anivaldo, Lico, Ingo, Claudio e Ricardo; Laercio (Mogeno) e Tassuva (Galego); Cesar, Franklin, Laurinho e Nilo.
 Time de 1971
1972-1982: O FLUMINENSE VIRA FREGUÊS
No inicio da década de 1970 a cidade de Joinville viveu a sua própria revolução industrial com um crescimento exponencial do setor metalúrgico que buscava mão de obra em todas as cidades da região e do vizinho Estado do Paraná. Como consequência disto, os times ligados ás fábricas, como a A.A. Tupy, a S.E.R. Tigre, o Grêmio Consul e a A.D. Embraco passaram a contar com um forte investimento financeiro nos seus departamentos de futebol, e além, disto, recrutavam não só bons profissionais como excelentes boleiros que recheavam os seus elencos de craques do futebol amador.
Neste cenário, o pobre Fluminense, que continuava dependendo do patrocínio dos seus sócios e dos lucros do seu acanhado salão, não tinha condições de competir em igualdade de condições com estas equipes.
No campeonato de 1972, a Tupy deu o troco no Fluminense e sagrou-se campeã da cidade após empatar com o tricolor em 0×0 no jogo decisivo. Em 1973 e 1974, o Fluminense amargou mais dois vice-campeonatos, desta vez perdendo para a S.E.R. Tigre que contava em seu elenco com antigos tricolores como Anivaldo e Lôlo.
Entre 1976 e 1982 a Tupy foi soberana, sagrando-se heptacampeão, enquanto o Fluminense era mero figurante, não conseguindo sequer chegar ás decisões.
O CALDEIRÃO DO ITAUM
Sem poder competir em condições de igualdade com os times de fabrica nos campeonatos oficiais da Liga, o Fluminense vislumbrou o futuro e ao invés de investir em futebol, á partir de 1978 deu inicio ás obras de construção de seu primeiro estádio próprio.
O terreno onde seria construído o estádio pertencia á Prefeitura Municipal que o concedeu ao clube através de um Termo de Permissão de Uso. A área era extensa e com uma localização privilegiada, no final da rua Florianópolis, uma das principais vias do bairro.
Localização do Fluminense no bairro Itaum
Aproveitando o relevo do terreno, o clube fez verdadeiramente um estádio de futebol, com arquibancadas e tudo mais, um luxo que poucos clubes do futebol amador local podem se orgulhar.
Devido aos recursos limitados, a obra prolongou-se por quatro anos até que em 22 de Agosto de 1982 o Caldeirão do Itaum, nome pelo qual o Estádio é conhecido até hoje, foi solenemente inaugurado com um torneio quadrangular sênior vencido pelo Caxias.
Foi um dia de grande orgulho para o bairro e para o presidente do clube, João Gaspar da Rosa, que estava desde 1976 no cargo e foi o grande empreendedor deste sonho tricolor, não á toa, até hoje o clube também é conhecido como o ‘Fluminense do João Gaspar’.
Com o passar dos anos, foram anexados ao estádio uma churrascaria e um centro de educação infantil, que passaram a auxiliar nas receitas do clube, que desde o inicio da década de 1990 já não contava mais com o seu salão.
Estádio Caldeirão
1983-1989: SEM BRILHO
Entre 1983 e 1989 a Liga Joinvillense enfrentou serias dificuldades para organizar seus campeonatos, que cada vez menos atraiam o interesse dos clubes. A 1ª Divisão deixou de se realizar em duas ocasiões e em outros anos, não mais que quatro clubes participaram da disputa. Neste cenário, o Fluminense foi um dos clubes que mais se retraiu, disputando apenas os campeonatos de 1984, 1985 e 1986 sem qualquer brilho.
ANOS 1990: ALTOS E BAIXOS
Na década de 1990 o Fluminense viveu altos e baixos na elite do futebol amador joinvillense tendo como principais rivais a sempre forte Tupy, além do tradicional América, que havia retornado ao futebol em 1985 após nove anos afastado dos gramados.
Em 1993 o tricolor foi vice-campeão da 1ª Divisão, perdendo o título para o América que iniciava uma hegemonia no futebol amador local.
Time de 1993
Em 1994 o Fluminense participou da fase decisiva do campeonato, mas terminou na 5ª colocação geral, que embora modesta, não foi mais repetida nos anos seguintes, onde as campanhas foram bem ruins, á ponto do clube não participar dos campeonatos de 1998 e 1999.
ROMÁRIO NO ITAUM
Por volta de 1996 o Fluminense roubou a cena do noticiário esportivo estadual, tudo graças a uma visita que recebeu de ninguém menos que o baixinho Romário. O tetracampeão mundial, ainda no auge de sua carreira, jogava no Flamengo onde tinha como companheiro de time o volante joinvillense Pingo. Á convite do amigo, Romário veio á Joinville especialmente para participar da inauguração de uma escolinha de futebol aberta pelo volante em sociedade com Agnaldo (ex-Gremio e Palmeiras). O projeto tinha como base o campo do Fluminense e no dia de sua inauguração, proporcionou ao Caldeirão um dos maiores públicos de sua história.
ANOS 2000: MONTANHA RUSSA DE EMOÇÕES
Nos início dos anos 2000 o Fluminense era mais reconhecido pela simpatia que atraia nos torcedores da cidade, do que pelo poderio do seu time, fato é que sua participação nos campeonatos da 1ª Divisão de 2000 á 2003 foram muito fracas, culminando com um inédito rebaixamento para a 2ª Divisão.
Na Segundona de 2004 o tricolor do Itaum pintou como favorito á conquista do título, e todos estavam ávidos para ver o clube colocar um novo troféu na sua galeria, que desde 1971 aguardava por uma novidade, no entanto, a disputa foi bem mais dura que o esperado. O duelo pelo acesso, na fase semifinal diante do Operário do bairro Cubatão foi dramático e na final a equipe tricolor não foi páreo para o novato Sercos, do Bairro Costa Silva, que alcançou o titulo de forma surpreendente.
Na Primeirona de 2005 o Fluminense deixou a sua ultima boa impressão no futebol amador local. Após um turno desastroso onde ficou na lanterna entre 10 participantes, surpreendeu a todos ao conquistar o returno, credenciando-se para a semifinal do campeonato, onde foi eliminado pela Serrana que na final perdeu o titulo para a surpreendente Sercos.
 
Time de 2005
Em 2006 o clube fez a pior campanha de sua historia, terminando a Primeirona na 12ª e ultima colocação. Em crise financeira e existencial, deixou de disputar os campeonatos de 2007 e 2008.
Em 2009 decidiu voltar ás disputas dos campeonatos oficiais, mas teria que começar tudo de novo, tendo que encarar a Terceira Divisão do Futebol Amador local, um verdadeiro porão para um clube de tamanha tradição. Com um time sem qualquer investimento, apostando nos jovens jogadores das suas escolinhas,  o Fluminense fez campanhas discretas nos anos de 2009 e 2010 e ainda teve que amargar um pseudo-clássico Fla-Flu contra o modestíssimo Flamenguinho do vizinho bairro Fátima, cenário bem distante dos eletrizantes Flo-Flu da década de 1960.
 2014: VOLTA INESPERADA AO FUTEBOL PROFISSIONAL
Em março de 2014, João Gaspar da Rosa deixou a presidência do clube após 38 anos, não sem antes indicar o seu sucessor: o gestor Anelísio Machado. Entusiasta do futebol, já que há vários anos vinha investindo no futebol amador, o diretor da Faculdade Assessoritec logo deu inicio a um projeto audacioso e surpreendente: recolocar o Fluminense no futebol profissional.
Anelísio Machado e João Gaspar
A regularização do clube para a volta ao cenário estadual, embora bastante onerosa (cerca de R$ 40 mil em taxas para a FCF e CBF), não demorou muito para se efetivar.
Em junho o Fluminense já estava disputando as categorias juvenil e junior do Campeonato Catarinense da 3ª Divisão onde enfrentou Juventus de Seara, Sport Club Jaragua e Maga, sem grande sucesso, sendo eliminado na primeira fase e ainda amargando punições por escalar jogadores irregulares.
A estreia no campeonato principal deu-se em Agosto e como o depreciado Estádio do Caldeirão do Itaum não reunia condições mínimas de receber um jogo profissional, a alternativa foi mandar seus jogos na Arena Joinville. O publico de 600 pessoas na estreia foi bastante animador, porem, no decorrer da competição, a campanha fraca e a falta de apoio das rádios e demais órgãos da imprensa local fizeram com que o interesse do publico diminuísse culminando com apenas 50 pagantes no ultimo jogo.
Alocado no Grupo A da competição, o Fluminense não conseguiu avançar de fase nos dois turnos do campeonato, tendo feito a seguinte campanha:
Turno: Maga 0×1 Flu / Flu 0×0 Jaraguá / Juventus de Seara 2×0 Flu
Returno: Flu 0×4 Juventus de Seara / Jaraguá 3×0 Flu / Flu 2×1 Maga.
O Grupo B contava com Oeste, Curitibanos e Barra, que também não foram páreos para o Juventus de Seara, que venceu os dois turnos e sagrou-se campeão de forma direta.
Time de 2014
Numa competição repleta de bizarrices, o Fluminense também deu a sua parcela de contribuição. A primeira delas foi disputar todo o campeonato com um goleiro de 49 anos de idade, o consagrado Silvio, que após passagens vitoriosas pelo JEC e Grêmio nos anos 1990, havia encerrado sua carreira em 2003 no Marcilio Dias. Mais curioso que isto, foi o fato do goleiro ter sido o principal destaque do time na competição, com defesas espetaculares. A outra grande bizarrice ficou a cargo do próprio presidente, que no auge dos seus 50 anos de idade estreou como jogador profissional diante do fraco Maga.

Novo Escudo

2015: FUTEBOL PROFISSIONAL COM OS PÉS NO CHÃO
Em 2015 o Fluminense foi um dos primeiros clubes a confirmar participação no Campeonato da Terceira Divisão Estadual, dando mostras de que está firme no proposito de se consolidar como o segundo time da cidade.

Time 2015

No campeonato das categorias juvenil e junior, enfrentando o S.C. Jaraguá, Curitibanos e Caçadorense, novamente o Fluminense decepcionou, não conseguindo passar da primeira fase.
No campeonato principal, novamente vem mandando seus jogos na Arena Joinville, sem apoio da imprensa e com pouca presença de publico. A diferença primordial é que o elenco está mais qualificado e embora não tenha condições de conquistar o turno, promete fazer boa campanha no returno e brigar por uma vaga na final.
Caso venha a ser campeão desta Terceira Divisão, o clube subirá para a Segunda Divisão Catarinense, ocupando a vaga do rebaixado Blumenau Esporte Clube.

Time 2016

 

Time 2017

Fontes: 
Acervo pessoal
Acervo de Luciano de Oliveira Borges
Jornal A Noticia
Jornal Notícias do Dia
Livro Show de Bola, de Edson dos Santos.
Google maps
Terceiro Tempo de Milton Neves
FCF

Créditos ao autor: Cícero Alves Urbanski