A Fundação

O Fluminense Futebol Clube, do bairro Itaum de Joinville/SC, ou simplesmente “Fluminense do Itaum”, foi fundado em 24 de Outubro de 1948, num terreno na rua Voluntários da Patria, próximo á Igreja São Judas Tadeu e surgiu para substituir os pequeninos São Paulinho F.C. e Estrela F.C. A escolha do seu nome inicialmente foi motivo de discórdia, já que a turma dividia-se entre botafoguenses e tricolores. Para encerrar maiores discussões, foi feita uma votação, onde prevaleceu a sugestão dos tricolores. Foram seus fundadores: Arno Wersdoefer, Egon Giesel, Nelson Brandão, Antonio Pereira, Osvaldo Moreira, Adalcino Pereira, Gercino Rodrigues, Gustavo Jony Batista, José Lino da Silva, Carlos Klug, Francisco Ramos e Antonio Anésio da Silva.

Os Primeiros Jogos

O primeiro adversário do Fluminense foi o obscuro Esporte Clube Brasil, que acabou goleado por 7×1, sendo quatro dos gols marcados por Brandão. O primeiro grande rival do Fluminense foi o Almirante Futebol Clube, também sediado no bairro Itaum, e que mais tarde daria origem á atual S.E.R.C. Tamandaré F.C.

Os Primeiros Jogos

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Time por volta de 1949

OS PRIMEIROS CAMPEONATOS OFICIAIS

OS PRIMEIROS CAMPEONATOS OFICIAIS Entre 1948 e 1951 o Fluminense limitou-se a disputar jogos amistosos e festivais esportivos nos diversos campos espalhados pela cidade. Em 1952 filiou-se á Liga Joinvillense de Futebol e disputou o Campeonato da 3ª Divisão de Amadores da Cidade, ficando com o vice-campeonato ao perder o título para o Cometa F.C. Em 1953 foi novamente vice-campeão da Terceirinha, desta vez perdendo o título para o Boa Vista F.C. Em 1954, o tricolor voltou a dedicar-se aos jogos amistosos e aos animados festivais esportivos e ‘torneios do porco’ que eram bem mais animados que os campeonatos oficiais. Em 1957 voltou ás competições da Liga Joinvillense de Futebol, jogando a 2ª Divisão de Amadores, que devido a extinção da 3ª Divisão, contava sempre com muitos clubes na disputa. Na edição deste ano, além do Fluminense, tomaram parte o Santos, Estrela da Vila Baumer, Sulista, Aviação, Aventureiro, Prefeitura, Arsenal, Internacional, União Boa Vista e Almirante. Após fazer um turno apenas razoável, o Fluminense recuperou-se no returno e liderou a classificação até a penúltima rodada, quando foi ultrapassado pelo Santos que acabou sendo o campeão. O time base do tricolor neste campeonato foi: Caranga, Helio e Marino; Adalcino, Chelo e Osmar; Bia, Milton Fumo, Daniel, Nezinho e Lôlo.

1958: VICE-CAMPEÃO NO CLÁSSICO FLO-FLU

Em 1958 a Liga Joinvillense de Futebol criou a 1ª Divisão Extra de Profissionais, composta dos principais clubes da cidade (Caxias, América, C.A Operário e São Luiz) e que tinha como principal finalidade indicar o representante joinvillense no Campeonato Estadual. Com isto, a 1ª Divisão de Amadores, passou a chamar-se 1ª Divisão Extra de Amadores e abriu novas vagas, uma das quais foi ocupada pelo Fluminense. Este campeonato contava com 10 clubes e foi bastante extenso tendo terminado somente em maio de 1959. Com uma campanha brilhante e surpreendente, o Fluminense alcançou o vice-campeonato, perdendo a decisão para o famoso Floresta F.C. (atual Sociedade Floresta de Joinville), num classico que ganhou o apelido de ‘Flo-Flu’. A decisão do titulo foi uma verdadeira epopeia já que nada menos que cinco jogos tiveram que ser realizados para apontar o campeão. Para fechar a disputa com chave de ouro, o quinto jogo, realizado em 4 de maio de 1959, foi interrompido aos 35 minutos do segundo tempo, por conta de um temporal, quando o placar apontava 3×3. Sem poder mais esperar para decidir o campeonato, a Liga marcou os 10 minutos restantes para a terça-feira, dia 6, onde o Floresta fez 1×0 e sagrou-se campeão. O time base do tricolor neste campeonato foi: Caranga, Lôlo e Marino; Zeti, Chelo e Osmar; Nilo, Milton Fumo, J. Maria, Nivaldo e Bia.

1958: VICE-CAMPEÃO NO CLÁSSICO FLO-FLU

flo-flu

1959: DEVAGARZINHO, ENTRE OS GRANDES

Em 1959 a 1ª Divisão Extra de Amadores contou com a presença dos ‘ex-profissionais’ C.A. Operário e São Luiz, o que fortaleceu muito a competição que além do Fluminense, contou ainda com a participação de Floresta, Glória, Santos e Estiva. Tendo dois adversários mais qualificados pela frente, desta vez a sua campanha foi apenas modesta, terminando apenas na 4ª colocação. Também neste ano, o Fluminense foi convidado a participar de um torneio chamado Osni Mello (então presidente de FCF), onde pela primeira vez, teve oportunidade de enfrentar de forma oficial, os dois grandes clubes da cidade: América e Caxias. Como não podia deixar de ser, a campanha foi modesta. Seu time base foi o seguinte: Caranga, Laurinho e Baixinho; Zeti, Leonardo e Curuca; Ratinho, Bia, Camundongo, Quero e Lôlo.

1960: O ANO DOS BAILARINOS DO ITAUM VICE-CAMPEÃO DA CIDADE

Em 1960 o Fluminense mudou completamente de patamar passando a integrar a 1ª Divisão Extra de Profissionais que nesta ocasião, era composta apenas por Caxias, América e pelo seu grande rival, o Floresta. A campanha do tricolor foi surpreendente e o levou a um inimaginável vice-campeonato da cidade, somando 7 pontos, apenas um a menos que o campeão Caxias. Seus resultados foram os seguintes: America 0×0 Flu / Caxias 2×2 Flu / Floresta 1×2 Flu / America 1×2 Flu / Caxias 3×1 Flu / Floresta 2×2 Flu. Seu time base era: Nane, Laurinho (ou Alegria) e Baixinho; Lolo, Quica (ou Zeti) e Camundongo (ou Osmar); Bia, Milton Fumo, Daniel, Ratinho e Caranga. O artilheiro do time na competição foi Bia com 4 gols. Este time, que tinha em Ratinho e Milton Fumo os seus principais craques, ficou conhecido como ‘Os Bailarinos do Itaum’ apelidado que foi incorporado ao próprio clube.

O SALÃO DO FLUMINENSE

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Salão do Fluminense

O FLUMINENSE NO CAMPEONATO CATARINENSE

O vice-campenato da Liga credenciou o Fluminense a disputar o inchado Campeonato Catarinense de 1960, que contou com a participação de quase 26 clubes divididos em 5 Zonas Regionais. Os Bailarinos do Itaum ficaram alocados na Zona Norte, junto com o América de Joinville, Acaraí e Baependi de Jaraguá do Sul, Atlético e Ipiranga de São Francisco do Sul, que jogariam entre si em turno e returno em disputa de duas vagas na próxima fase. Após um inicio até promissor, com duas vitorias em três jogos, o Fluminense acabou perdendo o folego no decorrer da competição e terminou apenas em 5º lugar com 6 pontos ganhos, bem atrás de Baependi e Ipiranga com 16 pontos, América com 11 e Atlético com 7 e á frente apenas do Acaraí que somou 4. Seus resultados foram os seguintes: Acarai 2×4 Flu / Flu 1×2 Ipiranga / América 2×3 Flu / Flu 2×3 Baependi / Atletico 4×1 Flu / Flu 4×2 Acaraí / Ipiranga 2×0 Flu / Flu 1×6 América / Baependi 4×0 Flu / Flu 2×4 Atletico O time base do Tricolor foi o mesmo do campeonato da cidade e o artilheiro foi Daniel com 6 gols. Sem estádio próprio, o tricolor mandava seus jogos no Estádio do América ou no Estádio do São Luiz.

O FLUMINENSE NO CAMPEONATO CATARINENSE

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Timaço de 1960/61

1961: CAMPANHA MODESTA NO CAMPEONATO LOCAL

A 1ª Divisão Extra de Profissionais de 1961 contou com a participação de 6 clubes com a volta do C.A. Operário e do São Luiz ao certame principal da cidade. Enfraquecido com a perda de alguns jogadores para os rivais locais, sobretudo o artilheiro Daniel que reforçou o América, desta vez o Fluminense fez uma campanha apenas modesta, terminando a competição em 4º lugar com apenas 6 pontos ganhos, bem atrás do campeão América com 19 pontos, Caxias 15 e Floresta 8, e á frente de São Luiz 5 e Operário 1. O time base do Fluminense foi: Nane (ou Caranga), Osmar (ou Chuvisco) e Baixinho; Coruca, Quica (ou Lelinho) e Gunga; Ratinho, Pepê, Eduardo (ou Caranga), Lolo e Filo. Ratinho foi o artilheiro da equipe com 6 gols.

1962: PÉSSIMA CAMPANHA NO CAMPEONATO LOCAL

A 1ª Divisão Extra de Profissionais de 1962 contou novamente com a participação de 6 clubes, com a inclusão do Glória F.C. no lugar do C.A. Operário. Como no ano anterior, a disputa do titulo ficou monopolizada entre Caxias e América, cabendo ao alvinegro o titulo de campeão invicto. O Fluminense, por sua vez, fez uma campanha desastrosa ficando em ultimo lugar com 8 jogos e 8 derrotas. O time base, que não contava mais com os craques Ratinho e Milton Fumo foi o seguinte: Nane, Dalvo e Quica; Chuvisco, Filo e Lelinho; Bia, Eduardo, Caranga, Chiquinho e Laurinho.

MILTON FUMO NO VASCO

Milton Antonio Pedro Elioterio, ou Milton Fumo (1940-1989), no inicio de 1962, no auge de seus 22 anos de idade, foi vendido diretamente do Fluminense para o Vasco da Gama do Rio de Janeiro. Segundo o fundador Egon Giesel, a diretoria do clube joinvillense pediu inicialmente 200 mil cruzeiros para liberar o jogador, porém, nem pensou duas vezes em aceitar a contraproposta de 100 mil feita pelos cariocas. A verdade é que não havia como manter um jogador deste quilate no clube sem receber salário, então, mesmo que o Vasco tivesse oferecido 20 mil, o Fluminense teria aceitado. No clube carioca, mesmo atuando no quadro de aspirantes, Milton ganhava cerca de 30 mil cruzeiros mensais, algo inimaginável para o futebol joinvillense que era profissional apenas na nomenclatura. Sua estreia no time principal ocorreu em 10/05/1962 em um jogo amistoso contra o Gremio Maringá-PR. A titularidade foi conquistada somente em agosto de 1963, condição que manteve até o ano seguinte.

Milton no Maracanã com o Vasco

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Milton no Maracanã com o Vasco